sábado, 6 de novembro de 2010

O Perito - Parte 2

Sabia que o paciente já o aguardava havia algum tempo, mas se apegando a tão falada qualidade, aguardou até que o relógio marca-se 13:00 hs em ponto.
Levantando-se da cadeira, usou do máximo da educação ao chamar o paciente pelo nome enquanto forçava um sorriso.
Fechou a porta com cuidado enquanto olhava o relógio de pulso, não pretendia se demorar ali, tinha que levar o DVD que alugara no dia anterior para entregar, para não pagar dobrado, ainda mais por ser um filme de péssima produção.
Quando olhou para frente se deparou com uma mão estendida...
__ Boa tarde doutor!__ exclamou o homem com um sorriso.
__ Boa tarde Senhor__ respondeu apertando a mão do homem mesmo sem vontade.
__ Calor né?__ perguntou o homem sem muita vontade de saber a resposta, queria apenas aproximar-se daquele médico, era talvez uma forma de pedir misericórdia, percebia nas atitudes do médico a indiferença.
A resposta foi seca __ Não sei, to aqui no consultório desde cedo __ se sentou pegando a caneta e um bloco de anotações quando percebeu que o senhor continuava de pé.
__ Sente-se.
__ Obrigado Doutor, ainda bem que o senhor permitiu, minha coluna já estava queimando.
Procurou o médico os gestos costumeiros dos mentirosos no senhor, buscou seus olhos e se sentiu limitado, se perguntou em pensamentos se tinha perdido a capacidade de interpretar a mentira, enquanto a mente vagava em um episódio de sua série preferida da Fox, Lie to me, voltou a si quando o telefone tocou.

Já to indo, vai ser rápido aqui, pode deixar... Vai ser rápido fique tranquila.

__ Mas então me conte, o que aconteceu com vc?
__ Bem Dr., eu sou hoje, a pessoa em que ninguém quer parar perto, parece até que sou portador de uma doença incurável e contagiosa, a verdade é que sou o pensamento que destoa dos demais, liberto por opção, revolucionário por inteligência, com clareza de raciocínio de quem foi ao futuro e viu a verdade, estou no melhor do brinquedo, loopins em sequência, quedas e giros, tenho que aproveitar, pois cada um só tem a oportunidade de brincar uma vez, já passei pela fase da ansiedade da subida, mas agora percebo que estou chegando ao final da brincadeira e preciso curtir cada curva, sentir o vento no rosto, o frio na barriga, antes que os carrinhos parem.
__ Calma senhor, preciso saber o que te levou ao ponto que está, que conte pontos relevantes para meu laudo.
__ Relevantes para seu laudo? Bem... Vamos lá, não vou bancar a vitima de nada, o que fizeram a mim,eu já tinha visto fazer a vários, porém pensei que comigo nunca iria acontecer, o que tenho de diferente? Verdade, honra, entre muitas outra coisas. __Senhor!
__ E também...
__ Senhor! Tudo bem, o senhor está liberado.
__ Mas eu ainda tenho muito a falar. __ Não é preciso, eu já entendi, deixa que já sei o que aconteceu.
__ Mas..
__ Tenha uma boa tarde, qualquer coisa eu entro em contato.

O Perito - Parte 1

Profissional que era,sentaria em sua mesa, analizaria todos os documentos, receitas, relatos,remédios ministrados e faria o melhor trabalho possível, como sempre fez.
Sabia da importância de seu trabalho e se sentia totalmente capaz de fazê-lo, estudara demais, cursos, mestrados, tinha confiança em sua sabedoria.
Se dedicava a fazer o melhor possível, mas esquecia de uma coisa importante, ser justo.
E ser justo é algo que vai muito além do melhor, transcende conhecimento, ser justo é a capacidade de juntar inteligência, conhecimento e sensibilidade.
Ele não sabia, mas os anos de estudo, a mesmice do dia a dia e a descrença nos seres humanos o havia empedrado.
Fã incondicional da série americana Lie to me, uma série que mostra especialistas em leitura corporal, imaginava conhecer a mentira, se sentia imune a pessoas manipuladoras e isso o tornava um ser meticuloso e frio, repetia em bom som a quem quisesse ouvir que essas eram as suas principais qualidades.
Tudo começou a mudar naquele dia, seria apenas mais um dia de trabalho, um dia como outro qualquer, já havia analizado tudo que lhe enviou a justiça, era questão de cumprir um ritual a presença daquele paciente, ele já tinha até começado a escrever o laudo, afinal o que poderia falar o paciente que o faria mudar de opinião?

sábado, 2 de outubro de 2010

Uma vez Flamengo, Flamengo até depois da morte!!!!

Estou de luto, tenho milhões de coisas a falar, mas nesses momentos fica tudo tão desproporcional, a vontade de gritar, de chorar me deixa com a sensação de bancar o ridículo, tudo ao redor segue como se nada estivesse acontecendo, o Zico esteve presente, ia transformar o Flamengo em um clube de futebol que ainda não existe no mundo, a torcida do Flamengo lidera em números, todos os outros clubes do mundo em todas as faixas etárias, todas as classes sociais, todos os níveis culturais, e ele estava lá, uma espécie de peça rara e única, o elo que uniria o passado com o futuro, o caos com a organização, a vergonha com o orgulho, a mentira com a verdade, e aí o interesse pessoal entrou no meio do caminho, desviou a verdade, empurrou a organização e vergonhosamente mudou o curso que ia ao futuro em direção ao passado. Leonardo Ribeiro... Leonardo quem? Leo... Leo quem? Quem é esse senhor? O que ele fez pelo meu clube? Ele usa vermelho e preto? Quem permitiu que ele use nossas cores? Ele certamente não preenche os requisitos para pertencer a Nação...
Não me venha Senhores “amigos” do Zico falar algo neste momento... Senhor Junior (Leovegildo) Capacete, teve todo o tempo do mundo para se colocar ao seu lado, o emprego com a poderosa é importante demais, basta escutar seus comentários em relação ao clube que lhe fez, e agora vêm escrever que se acha um bobo? Francamente...
Agora tenho que estar satisfeito, a instituição prossegue, irá prosseguir mesmo quando eu não estiver aqui, nesse momento um certo desespero bate, até quando viverá o Zicão? Ele é imortal para Nação, mas Deus já tem uma camisa escrita com o seu nome nas costas para reforçar o time lá de cima, as oportunidades não devem ser desperdiçadas, será que teremos uma nova chance? Queria estar vivo para ver essa potência se levantando, pensei sinceramente que veria, era questão de tempo, de ajustes.
Patricia Amorim, Silvio Capanema, Leonardo quem? Hélio Ferraz, entre outros... Vocês escreveram seus nomes na história, são os maiores fracassados de todos os tempos do Clube de Regatas do Flamengo...
Uma vez Flamengo, Flamengo até depois da morte!!!!
Luiz Eduardo de Freitas Castanheira.

sábado, 18 de setembro de 2010

Esforço sobre humano pra correr, mas não conseguia..

Estava nu... Completamente nu... Pessoas me apontavam na rua... Tentava desesperadamente e sem sucesso me tapar com as mãos... Como pude esquecer de colocar uma roupa ao sair de casa? E aquilo ia me excitando... E assim ficava cada vez mais difícil me esconder com as mãos... Sensação de estar cada vez mais nu... Eu queria voltar pra casa... Só que não estava em um lugar conhecido... Resolvia correr e nesta hora começava a ventania... Esforço sobre humano pra correr, mas não conseguia... O vento ia me arrastando pro lado contrário de onde queria ir... Sentia que existia algo de ruin para o lado que o vento me levava e isso me deixava desesperado... Agora era uma fuga... A respiração ofegante e os músculos muito fracos para força daquele vento enquanto o mal se aproximava cada vez mais... É um pesadelo... Isso é um pesadelo... Vou acordar... Vou acordar... Senti a presença de algo que segurava em minha cabeça empurrando-a para baixo... Era o mal... Eu sabia... Já tinha tido esse embate várias vezes... Sabia como seria difícil acordar... A figura do mal não me deixava despertar... Tentava gritar... Talvez alguém me ajudasse a acordar... E me percebia sem voz como todas as outras vezes... A respiração cada vez mais ofegante... Muita força... Muito medo... Tenho que acordar... Vou Orar a Deus... Pai Nosso que... Pai Nosso que... Me arrepiava... Sem forças para Orar... Como sair disso? Como? Depende de mim... Somente de mim... Atitude... Sou forte... Sou muito forte... Me olhe nos olhos... Não tenho mais medo... Largue a minha cabeça... Me afastei... Uma sombra em atitude intimidadora com o dobro do meu tamanho me encarava...... Eu tenho fé... Muita fé... Ninguém tem mais fé do que eu... A sombra sorriu debochadamente... Ordenei que olhasse pra mim... Ergui o braço direito e o fogo começou... A sombra estava em chamas... E então foi a minha vez de sorrir enquanto acordava...

sábado, 4 de setembro de 2010

Cena 1

"Esse texto é diferente de todos os outros, existe um enredo e por isso me obrigo a indicar uma preparação para lê-lo, cliquem neste link ao lado -
- clique como se fosse ouvir a musica e de pause logo em seguida para deixa-la carregando, indico que clique em play quando no texto aparecer este símbolo (***) e somente pare quando aparecer o símbolo novamente (***)"


Cena 1 – Fim de tarde, Homem, Sapatos pretos de couro, calça de algodão cinza, paletó preto, cabelos grisalhos, olhar firme, com barba por fazer e cigarro preso no canto da boca, parado em frente a um bar, hesitante se deve ou não entrar.
Câmera mostra do alto a 10 metros de distancia o homem pelas costas, se aproxima até perto de sua nuca (CORTA).

Tomada pelo lado direito, câmera mostra os sapatos e sobe lentamente até chegar nos olhos expressivos que miram a porta (CORTA).

Cena 2 - Tomada de dentro do bar, câmera mostra a porta se abrindo, homem entra com os olhos serrados, forçando ver na penumbra do bar enfumaçado (CORTA).

Câmera mostra a visão do homem, homens jogam sinuca com copos de cerveja pela metade apoiados na borda da mesa, 2 senhores sentados distantes um do outro no balcão com copos de wísk, câmera mostra o lado direito, luz fraca, lindas pernas de mulher, saia branca rodada, lindos lábios carnudos, batom vermelho, cabelos ruivos encaracolados, olhos baixos, descruzar cruzar de pernas (CORTA).

Câmera com a visão da ruiva mostra o homem dirigindo-se ao bar (CORTA).

Câmera com a visão do Barman mostra quando o homem senta no bar(Corta).

Câmera com a visão do homem mostra quando o Barman se aproxima (homem alto, magro, branco, careca, tapa olho no olho esquerdo, blusão branco de botões fechados até em cima, enxugando um copo com um pano), pergunta o que vai pedir (cara fechada, não demonstra emoções), ouve o pedido, deixa o copo que enxugava no balcão e busca a garrafa de wísk, sons de passos (CORTA).

Câmera com a visão do barman, mostra a ruiva que passa lentamente por trás do homem sentado no bar enquanto o barman despeja a bebida no copo, o homem não se vira para olhar apesar de perceber o movimento, ruiva senta ao seu lado e puxa um cigarro, homem se vira para vê-la e puxa o isqueiro que se abre antes de surgir a chama, acende seu cigarro (CORTA).

Câmera com a visão do homem mostra quando a ruiva traga o cigarro de olhos baixos com cílios enormes e maquiagem negra, solta a fumaça no exato momento que olha o homem de forma submissa, segundos passam até que surge um sorriso, ele oferece uma bebida, ela se vira para o barman e faz um pedido que não pode ser ouvido pelo homem, pois surge (***) uma melodia proveniente da Jukebox (Use somebody – King Lyon), barman se afasta para buscar a bebida, ela vira-se pra ele e diz enumeras palavras (CORTA).

Sobe o som da música, câmera fecha um close nos lábios carnudos com batom vermelho, (slowmotion) com os movimentos mostram-se dentes brancos e perfeitos (CORTA).

Câmera fecha em close nos olhos castanhos claríssimos que mostram convicção e energia sem perder o ar submisso (CORTA).

Câmera com a visão da ruiva mostra o homem parado com olhos de admiração que miram hora os olhos, hora a boca, homem respira para dizer algo, abre a boca, segundos com ar preso nos pulmões e boca aberta mostrando indecisão, desiste e solta todo ar enquanto fecha os olhos, câmera fecha em close nos olhos fechados(CORTA).

Cena 3 - Câmera suspensa em close nos olhos do homem filma o momento em que ele abre os olhos, vai se afastando em cima dele mostrando-o em uma cama de casal sozinho, lençóis brancos e desarrumados como se tivesse se remexido na cama a noite inteira, ele se estica para o criado mudo do lado direito da cama e aperta o botão do despertador(***), (cessa a música) ele volta a se deitar com ar de lamentação enquanto busca algo com os olhos em cima do criado mudo que está a esquerda da cama(CORTA).

Câmera com a visão do homem mostra em um porta-retrato com o vidro quebrado a foto da ruiva em um vestido azul brilhante, assim como seus olhos e sorriso (CORTA).(***)

FIM

SOBE LETREIROS DE AGRADECIMENTOS

SOBE LETREIROS DE PATROCINADORES

SOBE LETREIRO DO CASTING

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Embriaga-te

Devemos andar sempre bêbados.
Tudo se resume nisto: é a única solução.
Para não sentires o tremendo fardo do Tempo que te despedaça os ombros e te verga para a terra, deves embriagar-te sem cessar.
Mas com quê?
Com vinho, com poesia ou com a virtude, a teu gosto.
Mas embriaga-te.
E se alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre as verdes ervas duma vala, na solidão morna do teu quarto, tu acordares com a embriaguez já atenuada ou desaparecida, pergunta ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que se passou, a tudo o que gemeu, a tudo o que gira, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunta-lhes que horas são:
"São horas de te embriagares!"
Para não seres como os escravos martirizados do Tempo, embriaga-te, embriaga-te sem cessar!
Com vinho, com poesia, ou com a virtude, a teu gosto.

Charles Baudelaire

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Enfim o silêncio

Já sabia que eles viriam, pegamos pertences leves, aquele pão de massa fina ia nos ajudar, peguei meu filho no colo e corri pro meio da rua, minha esposa veio logo atrás, olhos aterrorizados cruzavam com os meus, dentre todos, pensava ser um dos mais tranqüilos, se é que posso usar essa palavra.

Mandaram as mulheres para um lado, e os homens para o outro, neste momento temi que ficaríamos separados, entreguei rapidamente nosso filho em seus braços, e eles correram pro lado determinado.

Eram meninos de farda, e por mais que soubesse que todos nós somos influenciáveis por toda vida, também sabia que na faixa de idade daqueles soldados, temos a tendência de nos cegarmos em verdades absolutas.

Como por Osmose, todos agiam e falavam de forma idêntica, uma espécie de sincronia bizarra, escutei uma gritaria e vi quando um homem tentava impedir quê sua esposa fosse para o outro lado, a movimentação dos soldados me mostrou que competiam, isso mesmo, eles disputaram para ver quem iria dar o tiro que mataria o homem, e nesse momento abandonei o que restava de tranqüilidade em mim.

Tiro, choro, silêncio, choro, tiro... E enfim o silêncio.

Nunca imaginei que poderia enxergar algo de bom na morte, porém tenho certeza que se matassem minha esposa e meu filho, eu mesmo clamaria por uma bala...

Caminhamos até os trilhos do trem, lá já existiam muitos de nós, me perguntei por que fomos os escolhidos, pensei em todas as gerações anteriores, o que será que fizeram?

Tentava não perder eles de vista enquanto acalmava o coração com pensamentos positivos que afirmavam que iríamos para o mesmo lugar, cruzamos nossos olhos quando eles foram colocados dentro de um vagão, acenei e pude ver olhos de alívio quando me viram, eu não sabia que esta seria a ultima vez que os veria. Anos de trabalho forçado, tentando me manter produtivo e nem mesmo a foto que tinha colocado na sola de meu sapato eu tinha mais, me arrependo de estar vivo, porém sem coragem agora para mudar isso.

De todos os crimes cometidos, a ignorância dos fatos é a que mais me perturba até hoje, e será para sempre, assim como aqueles olhos.

Estilhaçado

Catando-me em cacos, curvado em uma coluna sem saúde, dobrado no que restou de um joelho, me juntei aos poucos, colando parte a parte, tentei me reconstruir, mas vi que nunca mais seria o mesmo, os vincos produzidos pela cola usada, por maior cuidado e capricho que tivesse, estavam todos a mostra, remendos muito bem feitos, mas faltavam caquinhos, frestas mínimas que somente bem de perto se poderia perceber, mas estavam lá, vez em quando um vento frio penetrava como se quisesse apenas mostrar essas falhas, e tudo ficava frágil, não mais frágil do que já era, porém agora frágil de forma visível, tudo seria muito mais fácil se não tivesse tanta noção de nexo de causalidade. O fato aconteceu e foi como se quebrasse dimensões e tempo, viajei por um espaço de 20 anos entre o passado e o futuro, sensação de vazio, dor, desperdício.

Sem saúde, sem esperança, vi um menino esperançoso, vibrante, tímido e disciplinado e em poucos segundos estava diante de um homem curvado, sem fé, revoltado e desumano, parecendo aqueles quadros de transformação de programas de TV, o antes e o depois estava dividido em 20 anos, mas a mudança foi abrupta,
AAAAAAAAAAAAAAA – FATO – BBBBBBBBBBBBBBB.

Sim, era isso, a tal linha tênue do bem e do mal tinha se rompido, a grande fábrica de terror tinha produzido mais um dos seus monstros, liberto mas sem recursos, impossibilitado de fazer as maldades exclusivamente a ele inferidas, tempo importante para que ouvisse vozes de bondade que lhe falavam ao ouvido, como se estivesse em hipnose demorou a acordar, mas quando aconteceu decidiu se dedicar a mudar o futuro, ele sabia como seria se tudo corresse como previsto, guardou as maldades em uma caixa de isopor fino, e com a visão muito mais apurada do que antes, se permitiu voltar a ser humano, sim, humano.

Mesquinho, caridoso, invejoso, lutador, melancólico, entusiasmado, odiado, amado, medroso, corajoso, chorava desesperado e gargalhava até perder o ar e todos os muitos pontos de dualidade impostos a ele, tomou o controle do que podia, tentou aceitar o que lhe fugia, começando por parar de sentir pena de si, abaixou o dedo acusador e iniciou um caminho diferente, talhado com dificuldade, porém com curvas próprias e destino incerto, o que para muitos é motivo de aflição, para ele era o ponto de esperança, e me digam o que move uma pessoa senão a esperança?

Ele tinha algo que o diferenciava, se conhecia, e muito. Sabia do que era capaz, tanto para o bem, quanto para o mal, e esse “poder” inserido naquela DATA lhe permitia prever coisas como se um paranormal fosse, evitava situações e provocava outras, lia comportamentos como poucos, sabendo exatamente como agir e o que dizer para cada situação, porém com um ponto diferencial, mantinha-se autêntico, isso mesmo, extremamente autêntico, chegando bem perto da grosseria, apenas perto.

Desistiu de achar os tais caquinhos, e descobriu uma maneira de aceitar as brechas, era simples, se fosse um ar frio, sentia o frio, se fosse quente, sentia o calor, se tivesse cheiro, apreciava o aroma e talvez tenha descoberto a essência de toda existência, da vida, SENTIR.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Liberdade de expressão, loucura sincronizada...

Naquela troca de olhares sincronizamos os relógios, as respirações, os anseios, os planos, as perguntas, as angustias, as esperas, os sonhos, as mentiras, os desejos, as pontas de ciúmes, as resignações, as fomes, as perturbações, as loucuras, os pensamentos, as teorias, as conspirações, as certezas, as dúvidas, os medos, os corações...

Sim, eu mesmo... Repetindo... Fui eu mesmo... Tudo plano meu... Sim, como disse, todos os planos foram meus... Tava tudo planejado... Eu sabia onde ia chegar... Eu sabia sim... Isso que quis dizer, já sabia o que aconteceria, como e quando... Porque não acredita? Certo, certo... Você tem razão... Mas isso não muda nada... Só porque eram planos meus você acha que não teriam efeitos sobre mim? Você não sabe nem o que perguntar né? Ta bom, te ajudo... Vou falando e veja o que consegue aproveitar... Sabia como fazer, fiz... Sabia o que ia acontecer, fiz assim mesmo... Sim, sei que sofri, rs... Essa é a parte que não acredita né? Como pode alguém agir contra si? Saiba que antes que pense que não sou normal, te digo,eu sou perfeito... Completamente perfeito...

Claro que dentro de todas as imperfeições inerentes a mim... As dores já pertencem a mim... Não as cito mais, acho que assim elas perdem força... As coisas que tenho, minhas são... Sim, sei bem, claro que se perder, minhas não mais serão...

Jamais... não é isso... Sério, não sou soberbo... Na verdade tenho andado confiante... Em mim ué! Em quem mais seria? Confio no que sou... Afirmo que não sou melhor que ninguém... Já te falaram que tu és limitado? Não consegue entender nada do que digo... Tentas inverter, achas sentidos diferentes pra tudo que digo... Sendo assim, porque não define você mesmo, com suas palavras, tudo que te perturba em mim? Total consciência da ilicitude do fato neguinho... kkkkkkkkkkkkkkkkkk.

domingo, 18 de julho de 2010

Timidez

Arrastei o pé na calçada de cimento na intenção de limpar os pés, não queria que nada desse errado, tinha que ser perfeito...

Toquei a campainha firmemente, queria tocar apenas uma vez, para isso tinha que ter certeza que ela funcionasse, não queria parecer um chato...

Baforei na mão, o hálito estava bom...

Não lembrava como estava o cabelo, mas eles são curtos, não tem muito o que se fazer...

As frases ensaiadas estavam na ponta da língua, tinha 30 minutos planejados de conversas, seja qual fossem as perguntas , seja qual fossem as respostas...

Apurei todos os sentidos, energizei a mente, estiquei o corpo, respirei fundo para tentar diminuir o rítimo dos batimentos cardíacos...

Ouvi um “QUEM É?” vindo lá de dentro...

A porta interna se abriu, esqueci de respirar, os batimentos eram sentidos em meu pescoço, meu corpo arqueou, meus olhos fixaram nos pés, não sabia o que falar...

Passos em direção ao portão...

Corrida em disparada...

Respira... respira... respira... continue andando... ninguém te viu... fique tranqüilo... Recupere-se desse pique... 30 metros em poucos segundos... a velocidade inicial foi a mesma da final... Eu sou um covarde... Será que conseguirei um dia falar tudo que está aqui dentro?

Coff... Coff... Coff…

Solta todo o ar dos pulmões... [tchac, tchac, tchac… shuuuu, shuuuu…]

Respira fundo, conta até 10… expira…

O que seria de mim sem esse Aerolin Spray?

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Temor ou alívio ?

Todo texto inicia com uma tese... Uma afirmação... Uma certeza a ser comprovada... Defendida...

O tema deste texto será a morte!
Tenebroso? Realista?

Quando jovens, falamos da morte com receio... Quando velhos, falamos dela com esperança...

Fale a uma criança de 10 anos que ela vai morrer um dia e certamente estará guardando seu nome em um cantinho da angustia em sua mente, sempre que puxar dos arquivos de medo, seu nome estará lá... Eu tenho que concordar... É um absurdo pensar em morte aos 10 anos de idade... Juventude combina com vida, beleza, alegria...

Fale a um idoso que ele vai morrer um dia e poderá ouvir um “não vejo a hora” acompanhado de um suspiro, a morte não é tão grave quando temos como companhia a velhice... Principalmente quando essa velhice é acompanhada de dor (fato rotineiro em quase todas as velhices), como seria conviver com aquelas dores e limitações por um longo tempo? A certeza da morte se faz um grande e poderoso aliado, um alivio necessário...

Então um conselho (se fosse bom, venderia), viva intensamente... Tenha sempre na cabeça que um dia você vai morrer... Sendo isso um motivo de Temor ou alívio...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Reflexões 2

Ao lidar com decepções, com coisas que nos deparamos na vida de grande teor de sofrimento, onde trabalhamos, nos concentramos, planejamos, oramos e mesmo assim não aconteceram... Nesta hora estamos de frente com o Inevitável...
Nem sempre as coisas funcionam como planejamos... Filhos que se perdem com as coisas do mundo, mágoa de pessoas que amamos, entre muitas outras coisas...

Viver é garantia de sofrimento? A vida se resume em aprender e sofrer? A felicidade é algo que ocorre entre um sofrimento e outro?

Pessimista? Louco? Azarado?

Quando ele chegou foi perceptível sua energia... Perguntas concisas... Firmeza e coragem...
Lembra de mim? Serrei os olhos forçando lembrar...

Sou aquele senhor que esteve aqui e te falou que tinha largado o emprego para cuidar de minha esposa... Lembra? Lembrei de imediato, aquela atitude dele tinha me marcado...

Ela morreu tem 18 dias... Fiquei 8 meses cuidando dela mas não teve jeito...

A voz dele embargou... Pude ver através dos óculos, seus olhos azuis marejados...

Foram 36 anos juntos... Fazer o quê né? Não me arrependo em nada...

Reflexões 1

Reservo grande parte da minha vida em reflexões... Sobre a vida... A raça humana... Deus... Entre outras coisas de relativa “menor importância”.

Usar a massa cinzenta (como alguns se referem ao cérebro) é algo a ser escolhido, alguns se perguntarão, como assim? Algo a ser escolhido?

Pois é... A algum tempo ouvi alguém falar que, feliz é o cara que tem o 1º grau(fundamental) incompleto, só lê no jornal o caderno de esportes e ganha o mínimo nacional... Talvez estejamos de frente com uma afirmação preconceituosa... Talvez não seja, mas não me aprofundarei sobre isso agora... Estou apenas querendo mostrar como somos inferiores ao nosso conhecimento... No sentido que ao saber, deixamos de estar alienados, acaba o conto de fadas, isso em amplitude colossal pois até a bíblia nos retira a inocência... (que absurdo! Devem estar pensando) Tentem contar a história de Caim e Abel a uma criança de 4 anos de idade... Se resolverem ou acreditarem que não há problema, te direi que aos meus filhos, você está proibido(a) de contar... Então é aí que percebo a escolha, parecida com a escolha de Eva, quando comeu o fruto da árvore proibida/do conhecimento, escolher, saber ou não...

sábado, 5 de junho de 2010

Questão de vida ou morte...

Inicio, meio ou fim?
R:

Minha, nossa ou de ninguém?
R:

Coragem, medo ou covardia?
R:

Amor, ódio ou indiferença?
R:

Verdade, mentira ou insinuação?
R:

Poder, submissão ou liberdade?
R:

Grito, silêncio ou choro?
R:

Alegria, tristeza ou alienação?
R:

Lindo, horrível ou charmoso?
R:

Gordo, magro ou bem?
R:

Importante, Insignificante ou nem aí?
R:

Massa, carne ou tudo ao mesmo tempo agora?
R:

Religião, humanidade ou conflitos?
R:

Bom, mal ou melhor possível?
R:

Soberbo, humilde ou depende da situação?
R:

Sorte, azar ou depende do ângulo?
R:

Ontem, hoje ou amanhã?
R:

Sério, descontraído ou analisando o local?
R:

Muita grana, pouca grana ou o suficiente?
R:

Voar, nadar ou andar?
R:

Dinheiro, tempo ou tempo com dinheiro?
R:

Vírgula, exclamação ou ponto final?
R:

terça-feira, 1 de junho de 2010

Como sempre!

Me preparei... Aumentei, engrandeci, melhorei minha alma... Me posicionei, trabalhei físico e mente... Principalmente a mente...

Mesmo assim... Sentia o tremor no abdômen, meus olhos teimavam em olhar para os pés... Esforço sobre-humano...

Atitude programada, ensaiada, passo a passo, ponto a ponto... Mas e os olhos? Tentei um olhar de insignificância, passei para um olhar paisagem, achei melhor serrá-los, defini como melhor, o de raiva...

Esperei uma agressão... Verbal, física... Antevi olhos impiedosos, grosseiros...

Ledo engano...

Movimentos leves... Olhos doces e ternos...

Sem palavras, pasmo... Indeciso, Inerte... Incapaz como antes... Como sempre... Tempo perdido...

Continuei totalmente dono de mim... Tão dono que lhe pedi permissão para sorrir, chorar...

Seu olhos me disseram algo que eu não queria entender...

Já não se importava com o que decidisse... Apenas pena... Apenas Educação...
Não me queria magoar... Sem saber que arrancava um coração...

sábado, 15 de maio de 2010

Trabalho 6 x 1 menosprezo...

Era a 5ª tentativa de domínio meu no jogo, e mais uma vez o zagueiro chegou empurrando e perdi a bola, reclamei com o arbitro e a resposta dele tenho guardada comigo até hoje, “me esquece, joga tua bolinha aí que já está bem pequenininha e me esquece”. Eu fervi, senti o sangue nos olhos, e fiquei na minha, de certa forma eu obedeci.

Mas o mundo da voltas, nesta época devia ter uns 13 anos de idade e ele uns 16, você pode pensar que 3 anos é pouca diferença, mas no futebol isso pode significar até 2 categorias de diferença, melhorei minha bolinha, passei por vários times da região, disputei campeonatos, isso tudo em um curto espaço de tempo, necessário para que fosse conhecido e fosse jogar por convite em um time dos melhores jogadores da área, ficamos invictos durante 1 ano inteiro com jogos todo final de semana, goleamos times fracos e ganhamos de todos os fortes, até que foi marcado um jogo considerado como um clássico, estava jogando em uma categoria acima da minha, estava nos juvenis com idade de infantil.

Eu tinha um ódio particular pelo adversário, durante muito tempo joguei em um time que este chamava de covarde pelos simples fato de não ter concordado em jogar dois tempos de 30 minutos, pois jogávamos sempre 45 minutos cada tempo.

Eu joguei demais, estava em todo campo, marcava, distribuía e chegava para concluir e vários fatos marcaram esse jogo, o placar, o local, e a presença daquele que falou que minha bola era pequenininha um tempo antes, ele estava em campo, era um dos defensores.

Já devia ser 40 minutos do segundo tempo, o placar marcava 5 x 1 para meu time, eu mesmo tinha marcado 2 vezes, quando recebi um lançamento pela direita bem próximo a linha de fundo, e adivinha quem veio na cobertura? Pois é... Peguei na bola e olhei dentro dos seus olhos, parti pra cima em direção a área e ele recuou, fingi que cortaria pro meio e ele me deu o espaço necessário, joguei a bola paralela a linha de fundo e desviei pelo outro lado... Sim... Um lindo drible da vaca, rs... peguei a bola do outro lado e rolei com açúcar para um meia do meu time que chegava, e de primeira lá de fora área ele chutou no ângulo, foi gol, um golaço, o sexto gol para fechar com chave de ouro, uma goleada em nosso principal adversário, na casa deles com direito a gol de placa em cima de quem havia me menosprezado a pouco tempo...

Trabalho 6 x 1 menosprezo...

sábado, 10 de abril de 2010

Todas as fraquesas até a vitória!!!

Escutava, pois aprendi a ser bom ouvinte, lastimava e tentava jogar meu amigo pro alto... Isto no bom sentido da coisa... Ele ia cair e eu não deixava, volta e meia lembrava do fato de ter ido estudar para uma prova que não seria ministrada... Com a mochila em cima do colo fitava os olhos dele com expressão determinada, que lhe desse confiança para abrir e falar coisas do fundo do íntimo pois sei que é do ser humano usar em algum momento todas as fraquesas a ele um dia confessadas... Mas eu não sou desses, fico atento a toda ação “normal” que me traga vergonha, que me desminta no que sou...
Do outro lado da mesa outra conversa tão reveladora quanto a que eu tinha, olhos parecidos com os de todos que jogam pra fora dores vivas presas em toras, daquelas que teimam tentar romper as amarras, daquelas que se lançam e balaçam toda a parafernálha preparada para lhe prender.
Uma despedida rápida e lá estava eu tentando colocar em ordem tudo que tinha ouvido, fazendo o exercício de pensamentos positivos tão treinados, de certa forma que se confundem com preces, uma mini oração... Vai com Deus meu amigo... Tudo vai dar certo...
Os olhos marejados em minha frente cruzaram com os meus... Percebi certo desconforto... Eu queria participar daquela conversa tambem... Mas tinha que ser de forma permitida, não queria ser intrometido. Vaguei em pensamentos meus, na aula que me esperava, na surra prometida que me fizeram, (sim, uma prova adiada é o mesmo que uma surra prometida) mas sem tirar da cabeça a vontade de estar ali, naquela conversa...
Quando ambos me olharam eu aproveitei, aproximei a cadeira o máximo que pude, não tenho a certesa de estar falando sobre a mesma coisa em que minutos antes eles falavam, mas não forcei... Não perguntei sobre o que falavam, deixei fluir o rumo da conversar por ela mesma, em certo momento foi falado coisas que reflito, falei o que pensava sobre aquilo, o entusiasmo surgiu nos olhos de ambos, falamos da vida, submissão, alforria, problemas, ouvidos, vítima, luto, otimismo, fraquesas, combinamos ler textos uns dos outros, logo que meu amigo criar o dele, foi um fim de noite dos bons, cada um com sua história, cada um com seu entendimento, e a certesa que as coisas que nos deparamos na vida nos prepara para vitória.

terça-feira, 16 de março de 2010

Palavras mudas...

Pensei em aconselhar, quis falar da vida, falar de esperança e sucesso... Quis mostrar exemplos, do que se ganha por ser bom, de como agir para dar tudo certo... Mas fui vencido de véspera... Minhas palavras se calaram... Percebi minha impotência perante aquilo... Não conhecia ninguém que realmente conviveu comigo que estivesse em uma boa... Ao redor o crescimento desordenado me dava a real noção do abandono... Abandono de sempre, antes que pensem no hoje... Alguns me chamarão de pessimista... Levantarei minha voz dessa vez... Pessimista não! Sou realista... Alegarão que o dinheiro circula... Que pessoas têm propriedades como casas e automóveis... O comércio prospera a cada dia... Então farei força para não rir, força para não ser desrespeitoso... Trocados... Casebres... Carros populares... Ah... Mas é só estudar que as coisas mudam... Escolas públicas em greve... Períodos escolares que coincidem com a temporada de futebol europeu...

Tomei fôlego e gritei com a cara mais sínica que tenho... Sem pensar muito, para que meus pensamentos honestos não me sabotasse... Eu tinha que passar no timbre da voz... Verdades... Esperanças... E principalmente convicção...
Ei menino... Rapaz... Homem... Não entre para o tráfico... Não se deslumbre com o poder que as armas te dão... Não se iluda com todo esse dinheiro... Não pense que tudo que você está comprando, te dará prazer eterno... Você merece algo melhor pra sua vida...

Ei moço... Vida? Que vida?

sábado, 13 de março de 2010

Fragmentos...

Sou inteiro... Ou apenas partes... Pedaços grandes e pequenos... Que se unem e dão “sentido”... Pedaço de tudo ou só daquilo... Juntos ou separados... Formam tudo ou só isso... Sim, isso... Eu...

Eu sou... Passeios de charretes puxadas por cabritos... Tombo de escorregador em praça de subúrbio... Passeio de cavalo... Choro e riso...

Eu sou... Pique alto... De esconder... Pique ajuda... Pique baixo... Pique fruta...
Sou corrida... Carrinho de rolimã... Taco e bandeirinha... Bola de gude... Rapa...

Sou pipa... Cortar e avoar... Alegria e tristeza... Sou cerol e corte no dedo... Dor e prazer...

Sou salada mista com vozes nos ouvidos... É esse?... É esse? __Diga que sim, falado baixinho... Pêra, uva, mação ou salada mista? E novamente a voz me dizia baixinho... Salada mista... Salada mista...

Sou bicicleta e tombo... Dor e raiva... Choro e bico no guidão... Eu sou muito, muito, muito bicicleta... Corridas e trilhas... E tombos e dor... E risos... Muitos risos...

Sou Karate... Judô... Sou Jiu jitsu... Sou kiai, finalização e finalizado... Mae-geri no estomago, Tsuki na cara e corte na boca...

Sou futebol... Sou muito futebol... Sou gol e golaço... Goleada e goleado... Sou porrada e amizades... Sou vontade... Muita vontade e alguma técnica... Sou Campeão e pereba...

Mas sou futebol também na rua... Asfalto e cabeça do dedo estourado... Sou água no machucado com vinagre e sal... Sou alho em furos de prego... Sou pó de café em corte profundo...

Sou praias... Jacarés e caixotes... Garganta salgada... Picolé dragão... Biscoito globo e areia...

Sou carro... Trem... Ônibus e metrô... Sou salgados da central e caldo de cana...
Sou viagens ao Recreio as 6 da manhã... Com retorno as 22... Sou pirâmide humana... Mar agitado e óculos de sol...

Sou Rio... Minas e São Paulo... Sou Rio Grande do Norte... Espírito Santo e 20 minutos de avião pousado na Bahia...

Sou eletrônica... Informática... Direito... Com resquícios de hierarquia e longe da disciplina... Tentando e forçando esquecer... Tentando e forçando lembrar...
Sou Roda Gigante e Montanha russa... Casa dos espelhos e Konga... Auto-pista e Tsunami...

Forte e fraco... Determinado e inseguro... Sou muito angustia... Pouco calma... e certamente ansiedade... Mas sou amor... Sou compreensão tentada... Sou vontade... isso eu sou...

sábado, 6 de março de 2010

Apenas mais uma postagem.

Compreendi como se claras fossem, todas as idéias loucas de um são... A luz que surgia me cegava de tanta escuridão... Tinha muitas vontades de nada fazer... Mas nada fazia para acontecer... A morte me sondava toda hora... Só pra ter certeza de que ainda estava vivo... O céu me atraia mais do que o mar... Mas era nele que sempre ia... A porrada comia todo dia, ao quebrar todas as algemas que eu me prendia... Tinha pena de mim... Pena de todos. Uma guerra sangrenta de outros que lutamos desde o começo... Respiração e inteligência... Queria olhos de amor e paz, tão determinados como os de ódio e guerra... Lógica? Sensatez? Ordem? Entendimento? Perdoe... Um dia talvez... Longe daqui, perto dali, perto Dele, ao lado deles, junto de quem? Produzir, construir, procriar... Sim procriar, voltar à guerra dos outros, Evas de hoje... Evas de sempre... Homens sem ar, sem lógica, sem controle... Poderes sem uso... Usuários iludidos... Poderes perdidos... Eu cri na verdade... Seja lá o que isso for... Mas preferi duvidar... Certezas demais dá pra desconfiar... Rasguei meu dicionário... Quis ser questionado... Me questionando, me recriei... até ontem... até hoje... até quando? Melhor rasgá-lo de novo... E de novo... Até acabar... Sou fanático por mim... Tenho que ser... Eu sou o cara... Eu sou o... Oooo... Quem mesmo? Um dia definido levantarei a voz... E nesse dia todos poderão me dar as costas e caminhar... Certo de quem sou... Absolutamente verdadeiro... Com guerras minhas... Lógico e inteligente... Enxergando longe e perto, como se tivesse olhos bifocais, farei nada por que quero fazer... Poderoso e sensato... Com olhos determinados de um amor de ódio... Em uma guerra pela paz... Controlado e louco ela me sondará mais uma vez... Então sem pena de mim... Estarei onde deveria, devo estar.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

8 segundos

Seus olhares se cruzaram, os objetivos apesar de contrários eram iguais, se preparou como se fosse a última vez, pois sabia no fundo que sempre será a ultima vez... Mesmo que seja a primeira, os trajes estavam perfeitos, caminhou com confiança e se deixou distrair com o público, toda aquela gente esperando seu sucesso, mas com certa torcida pelo seu fracasso, olhou ao redor sentindo a atmosfera, ele precisava estar concentrado, precisou sentir cheiros trazidos pela brisa quente para rever cada ponto, antecipar os movimentos, prever cada ação contrária, subiu a grade, colocou a mão por sobre o arreio, era simples, apenas 8 segundos, olhou pra traz e se sentiu pequeno e com medo, tivera a chance de desistir, e naquele momento não tinha como voltar atrás, acenou com a mão e abriu-se a porteira... O impacto com o chão lhe deixou atordoado... Levantou-se e acenou pro público pra mostrar que estava bem... Retirou- se rapidamente... Tentando se limpar... Tentando não pensar...

Seus olhares se cruzaram, os objetivos apesar de iguais eram contrários, se preparou como se fosse a última vez, pois sabia no fundo que sempre será a ultima... Mesmo que seja a primeira, os trajes estavam perfeitos, caminhou com confiança e se deixou distrair com as pessoas que passavam barulhentas, toda aquela gente esperando seu fracasso, mas com certa torcida pelo seu sucesso, olhou ao redor sentindo a atmosfera, ele precisava estar concentrado, precisou sentir a brisa quente trazida pelos cheiros, para refazer cada gesto em pensamento, prever as perguntas, e antecipar as respostas, sentou a sua frente na mesa, sem saber direito onde colocar as mãos, sua primeira falha, como não pensou onde por as mãos antes? Ele sabia que só tinha 8 segundos... Olhou para trás e se sentiu pequeno... Com medo... Tivera a chance de desistir antes... Avançou ao ponto que não tem mais volta... Respirou fundo e abriu a boca... O impacto com o chão lhe deixou atordoado... Levantou-se e sorriu para as pessoas pra mostrar que estava bem... Retirou-se rapidamente... Tentando se limpar... Tentando não pensar...

sábado, 30 de janeiro de 2010

Real Capacidade

Um mês inteiro de preparação, eu teria uma oportunidade, apenas uma, e não iria perdê-la. A preparação foi da melhor maneira que poderia ser, aquele manual emprestado, dedicação intensa e mesmo assim, uma incerteza tão grande no sucesso, que era possível ouvir ventos em uma geleira interna.
O aviso foi apressado... Ir agora pra lá? Agora? De camuflado completo?

Avisei em casa, me pediram calma... Tinham que ter me pedido coragem... Não sabia o que esperar, estava inseguro... Nestas horas toda a preparação parece ser pouca...

O andar eu já conhecia... Colocaram 3 deles para vir ao meu encontro... O que se julgava mais poderoso me esticou um documento que dizia ser de minha responsabilidade tudo que viesse a acontecer comigo...

“ Assine aqui !”
“Não vou assinar...”
“Não vai?”
“Não vou.”
“Vocês são testemunhas que ele se recusou a assinar”.

Naquele momento descobri o poder real que possui o Judiciário. Me recusei a fazer algo que poderia, sem o respaldo do mesmo, causar minha prisão sumária.

Vamos ás provas,
“Ta vendo aquele alvo?”
“Sim senhor.”
“Você fará 5 disparos em sua direção para corrigir posicionamento, pois na pistola não se faz regulagem, você deverá compensar no posicionamento, entendeu?”
“Sim senhor.”
“Agora você fará 2 séries de 15 tiros, sendo 10 com cadencia de 1 tiro em 5 minutos e 5 diretos sem comando.”
“Ok.”
“Pode começar quando quiser.”
“Você já fez parte de alguma equipe de tiro?”
“Não senhor.”
“Você atira muito bem, fez 9.85 pontos, Excelente.”
“Obrigado.”

Por mais que façamos um trabalho mental sobre o que somos e o que podemos, quando conseguimos mostrar nossa real capacidade, em frente aos que de certa forma duvidam de você, é algo exultante, você nem precisa falar, a respiração é leve, e a sensação é a de pisar em cabeças...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Placas na estrada...

Eu fui avisado, fui sim... Eu fui avisado, de forma clara... Até muito clara... Mas não compreendi, ou melhor, não quis compreender, não foi uma mensagem subliminar não, na verdade... Era alguém que já conhecia tudo e tentou nos salvar...
Mas como saber se era verdade tudo que ele dizia?
Resolvi colocar a mão no balde... Eu mesmo queria saber se a água estava fria ou quente...

Hoje chego à conclusão que não temos como proteger as pessoas se elas mesma não querem... Não me omito, mas alerto sem expectativas, a verdade é relativa, a visão frontal tão confiável, é inferior a lateral... Olhando daqui é vermelho... Olhando de lá pode ser azul... Mas isso tudo não evita a ponta de dor ao ver alguém se arrebentando mesmo tendo sido avisado... Contudo não tenho certeza que isso não seja a exata vida... Todas as experiências individuais na vida formam o caráter das pessoas...

Eu me perdôo... Já ignorei avisos da pessoa que mais confio, meu pai, porque deveria de crer naquele sujeito? Me perdôo mas não esqueço... “ Aí... isso aqui é uma merda, não entra não, se vocês entrarem vão se arrebentar... Depois não digam que não avisei”.
Eu me arrebentei... e como me arrebentei... Apesar de absurdo, pois só eu sei como sofri e como até hoje convivo com minhas neuroses, tenho uma ponta de dúvida se mesmo depois de tudo, eu evitaria passar pelo que passei, caso tivesse previsto tudo antes...

Por mais que o destino seja o mesmo... Cada um escolhe sua própria estrada...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Todos os lados da mesma moeda!

Você é uma pessoa boa se é espontâneo, verdadeiro, leal, corajoso, amigo, autêntico, alegre, simples, tranqüilo, prestativo, humilde, respeitador, trabalhador, entre outras “qualidades” natas ou não.

Que grande engano é passado aos que apenas reproduzem idéias, tornando tudo muito mais verdadeiro do que é...

Não existe nada tão irritante do que conviver com uma pessoa questionadora... Não existe nada tão inteligente do que uma pessoa questionadora...

Toda e qualquer coisa, fato, forma tem muitos lados para serem observadas...

“O cara é arrogante, pensa que é o rei da cocada preta, insuportável...“

Quem será que ao ouvir esta afirmação será capaz de se aproximar de uma pessoa dessas?

Não vou me alongar demais... Direto ao ponto e de forma Realista D+... Como tem que ser...

Conheci um cara tão autêntico e espontâneo que deixava toda sua grosseria exalar, agindo como se fosse normal aturarmos toda a sua neurose e verdades absolutas, toda a sua falta de tato o tornava extremamente desrespeitoso, ainda que em seu pensar ele achasse estar respeitando em demasia a todos, porém, somente ele estava sendo respeitado naqueles momentos, sua lealdade para consigo o tornava desleal com os demais, sua coragem era quase um tapa na cara, ele era corajoso ao ponto de se meter em fatos e lugares que não lhe pertencia, sua alegria desmedida contrastava em alguns lugares sóbrios, mas muitos o achavam tranqüilo, simples, prestativo, sem contar que trabalhava como poucos, porém somente ele sabia fazer o serviço, ou pelo menos era o que ele achava, sua simplicidade e prestatividade por vezes era confundida com uma forma de submissão, o que de forma não muito tranqüila era esclarecida.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Toda e qualquer rocha, encontrará sua corrente de água

Eu fui vaidoso, aliás, eu fui muito vaidoso.
Me deliciava com meu “poder”, vibrava com meus graves, e principalmente com o que ele fazia as pessoas, Sabia exatamente toda a minha capacidade, e não fazia questão nenhuma de desfazer mau entendidos que aumentavam minha fama, de ampliá-las só pra servir ao meu ego.
Tudo começou com a teoria de que não permitiria ser taxado de otário, ao poucos, sem perceber, passei a querer fazer os outros de otários, isso tudo na base da atitude, das ameaças veladas, me sentia muito feliz, adorava o estado de constante preparo, minha presença era algo que notava tornar todos de certa forma, mais comportados, sendo que isso me dava a liberdade contrária, quem iria repreender meus atos? Eu era especialmente desrespeitoso, na medida e com quem eu queria.
Me faltava entender algo importante, talvez *vital, isso no sentido estrito.

“Toda e qualquer rocha, encontrará sua corrente de água”.

A voz, algo singular, algo que se desfaz, tente gritar com os pulmões vazios.
Poder, abstrato, relativo, nada se faz sem o mínimo de força.
Atitude, muito importante, mas não esqueça, responderá física, mental e financeiramente por cada uma delas.
Ameaças, poderosas, somente a quem tem o que temer, o que perder, perigosas, nem todos se retraem, existem os que partem pra cima.

Todas as formas de ilusões são armadilhas para raça humana.

VITAL = Essencial; fundamental; de capital importância.