terça-feira, 5 de agosto de 2008

Mapa de uma personalidade

Nunca tinha parado pra pensar na pessoa que sou, uma análise completa nunca tinha feito, até que me deparei com um ser esquisito na minha frente, ele mentia e muito, enganava, cultivava discórdias, intrigas, se fingia cordial e honesto, conquistava confiança até poder trair, roubar, matar, dividir, gerar ódios eternos, e o pior, tinha essa espécie de ser espalhado por todos os lados, o que me deixou surpreso, arriscaria até um espantado nessa afirmação, como pude não perceber? Onde estava com a cabeça? Foi aí que percebi que não era problema de atenção, não era por isso, descobri por acaso, que na verdade era minha personalidade que me impedia de vê-los e talvez assim conseguir me proteger, se é que é possível isso, pois pra ficar realmente imune, tens que generalizar, o que geralmente faz com que cometamos erros, mas porque fiquei tão surpreso? Porque fiquei tão decepcionado? Talvez por descobrir que são todos da minha espécie? E que terá que conviver com eles pro resto de minha vida? Mas o que sou eu? Porque a diferença? Acho que lembro... Na infância assistia junto com meu pai a filmes, na verdade nem queria vê-los, mas assistindo eu tinha uma coisa que adorava, que era a presença dele junto a mim, e esses filmes me transmitiam mensagens de honra, honestidade, companheirismo, lealdade, coragem, eram filmes de faroeste, onde até os vilões apresentavam um grau altíssimo de lealdade, ninguém atirava pelas costas, ninguém matava sem ser em legítima defesa, morriam um pelo outro, a amizade era algo mais firme que rocha, palavras valiam mais que qualquer documento assinado, não existiam mentiras e percebo que foi assim que foram gravados os arquivos de minha personalidade, Verdade, lealdade, coragem... Vem daí minha síndrome do Super-Herói, sempre em defesa dos fracos e oprimidos... E vem daí também minha total decepção ao assistir este filme da vida real, ele não é um faroeste... Acorde pra realidade.

Nenhum comentário: