segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Resolvi correr para sempre...

Pulei o muro meio desajeitado e não sei se aquele impulso veio dos meus músculos ou se alguém me empurrou, eu só sei que corri, e como corri, corri como nunca...

Eu não sabia onde ir, mas sabia que não podia parar de correr...

O vento no sentido contrário diminuía minha performance, mas era esse mesmo vento que me trazia o prazer do movimento, o ar aos pulmões e frescor para minha pele, minha alma...

Depois de alguns Kilômetros eu tive medo, havia me distanciado muito e não sabia se caso necessário fosse, se acertaria o caminho de volta, mas sabia que se resolvesse voltar, apesar do vento a favor eu não o teria no rosto...

E enquanto a dúvida se acomodava em um canto a cochichar eu continuava a correr e comecei a sentir a fadiga dos músculos que restaram da juventude, eles ainda estavam lá, talvez sem o mesmo vigor, mas continuavam a funcionar, os ossos rangiam e rangem até hoje, e descobri que enquanto sentir dor e puder ouvi-los,  vivo estarei...

Tentei parar, achava que não havia mais a necessidade de tanta correria, mas descobri que precisava do vento, do rosto suado, da fadiga muscular, da dor dos ossos rangendo...

Parecia que assim eu me purificava, os pecados, os erros, as mentiras, eram lavados de meu corpo pelo suor e o vento...

Sendo assim, uma vez que não existia a possibilidade de uma limpeza completa, haja vista a constante renovação de pecados, erros e mentiras, resolvi correr para sempre...

Correr como se um puro sangue fosse, um animal que sem o controle dos batimentos cardíacos não é capaz de perceber que ultrapassou seu limite, que entregou além do seu máximo...



E nunca perceberá... Nem mesmo quando estiver correndo por um gramado infinito onde o vento sopra de todos os cantos...