Alguns indicaram uma
van, afinal ela estaria toda arrumada e a ida de ônibus, trem ou metrô poderia
amarrotá-la.
Analisou por conta
própria e decidiu-se pelo metrô.
Logo cedo se arrumou
com a ajuda de seus pais, seu irmão fazia às vezes de assistente, trazendo
coisas que sua mãe necessitava, saberia se arrumar sozinha, mas sua
generosidade permitia a ajuda de pessoas que torciam por ela, seu pai se
colocou a disposição de ir com ela até a estação Pavuna e embarca-la, seu irmão
foi além, começou a se arrumar rapidamente enquanto dizia que iria com ela até seu
destino, mas ela, com toda educação, informou-lhe que alguns amigos já haviam
combinado de irem com ela, então ele disse que iria em outro vagão, caso ela
precisa-se de algo ele estaria por perto.
Enfim chegaram à
estação, enfrentou enormes filas para compra dos bilhetes, aguardou sua vez e
comprou um unitário, ela sabia dentro dela que seria um caminho só de ida.
Na plataforma uma
senhora confusão, pessoas amontoadas nas marcações das portas aguardavam a
chegada do metrô, ela com a consciência de ser apenas mais uma se espremeu e
decidiu que seria aquele o metrô que pegaria.
Alguns amigos diziam
para ela aguardar o próximo pois estaria mais vazio, mas ela não os ouvia.
Conseguiu ver seu
irmão no meio de outro bolo de pessoas que se formava na frente de outra porta
enquanto foi jogada pela correnteza humana para dentro.
Agora lá dentro
observava o sufoco das pessoas e pôde ver muitos amigos desembarcando na
estação Engenheiro Rubens Paiva na intenção de irem sentados.
Não seria fácil, não
existe cortesia nesses momentos, ninguém lhe ofereceria o lugar, e a cada
estação mais pessoas entravam.
Pelo whatsapp seus
amigos e familiares lhe desejavam sucesso e isso lhe trazia força e uma certa
pressão, entendeu que quando as pessoas compram sua briga a pressão é
inevitável, não está em jogo mais só seus sonhos, você passa a ser uma espécie
de esperança deles.
Em certo momento
recebeu uma msg de seu irmão, havia sido empurrado pra fora pelo mar de pessoas
na estação São Cristóvão e estaria logo atrás em outro metrô.
Pensou em descer e
esperar o próximo, mas logo desistiu.
Por diversas vezes
precisou escapar de ser jogada para fora pelas pessoas que desembarcavam e aos
poucos seus amigos desapareceram, percebeu que logo após a linda estação Cidade
Nova o metrô mergulhou em direção ao subterrâneo e imediatamente perdeu o sinal
da internet e foi neste momento que se sentiu sozinha pela primeira vez, onde após
um pânico inicial pôde refletir que na verdade sempre esteve sozinha, o caminho
que escolheu era um caminho só dela, as pessoas se comoviam, transmitiam força,
ajudavam em várias áreas mas não teriam como caminhar por ela.
Sim, pensou em
desistir, poderia descer na central e voltar, mas ela queria ver o mar, e para
isso teria que persistir, que doam os pés nesses saltos, que tentem me jogar
para fora, a sovaqueira no meu nariz, a tentativa de um roçar maldoso, sabia
que veria seus pais novamente, seu irmão estava bem, o sinal da internet iria
voltar mais cedo ou mais tarde e alguns amigos voltariam a se aproximar...
Decidiu seguir e quem poderá dizer que ela não vai conseguir? Quem?
Eu de minha parte
acredito, acredito muito, pois o caminho é sem volta, o metrô não sofre com
congestionamentos, no máximo uma espera de sinalização e só... Quem sabe um dia
ela não me chame para um mergulho?
Só
sei que o Sol está lá esperando por ela...
Feliz Aniversário
Dra. Chrislley do Nascimento Ferraz.

