sábado, 18 de maio de 2013

Entrevista

Qual roupa usar?
Já sei, aquela calça clara, mas ela é apertada, pode ser que a pessoa pense que quero me passar como um conquistador barato...

Já sei, aquela calça larga com bolso na lateral, mas ela é muito jovem, pode ser que a pessoa pense que eu não aceito a idade que tenho...

Já sei, aquela jeans com ar de velha, ar de velha? Ela é muito velha, bolsos furados, e entre o vão das pernas está tão puída que aparece a sunga, pode ser que a pessoa pense que quero passar a idéia de muito necessitado...

Vou de calça social, aquela preta básica que salva a todos, mas ela tá muito tempo guardada, a pessoa vai sentir o cheiro de mofo e achar que tenho idéias mofadas...

Depois decido,

Mas vou fazer a barba, não pega bem essa barba cheia, pode ser que a pessoa me ache uma pessoa desleixada, que não se cuida...

Mas se eu for de cara limpa? Vou parecer um mauricinho nerd, pode ser que a pessoa pense que sou antiquado, careta, ultrapassado...

Depois decido,

O sapato não tenho dúvida... Será aquele social, mas como se nem sei com qual calça irei?

Vou de tênis então... Aquele 12 molas falsificado lá da Uruguaiana, me deixa preciosos 5 centímetros mais alto, mas se a pessoa olhar para o meu pé, poderá pensar que eu sou a favor da pirataria...

Vou com aquele da Adidas que meu irmão me passou, ta velhinho, tem alguns buracos, mas ele é pelo menos original...

Depois decido...

Será que a pessoa vai consultar o SPC/ SERASA para poder contratar? 

Vou mesmo nesta entrevista?

Depois decido...

Hilário - Alexandre Nero


O amor está no ar...
Vai ver que é por isso que as vezes ele caga na nossa cabeça.
Eu podia cortar os pulsos, podia.
Podia fazer charminho, podia.
Chorar mil soluços por dia, podia.
Me embriagar de vinho barato, podia.
Podia andar com quem injeta, podia.
Virar um rato de sarjeta, podia.
Invocar o capeta, atear fogo no corpo, eu podia, eeeeu podia.
Podia voltar a chupar chupeta, podia.
Abandonar meu conforto, podia.
Saltar da torre da telemar, podia.
Tomar veneno, também podia.
Eu podia te denunciar por me abandonar no sereno e ir embora sem aceno, eeeeu podiiia!
Eu podia eu podia quereeeeeer a mooorte, podia.
Me descabelar, eu podia.
Ser um ser hospitalar, podia.
Maldizer o nosso lar, pra sujar teu nome e te humilhar e me vingar a qualquer preço, eu podiaaa.
Eu podiaaaa quebrar o teu pescoço, podia.
Parar de crer na sorte, podia.
Se afundar em areia movediça, podia
Pra você ser a carniça, ser um bicho ordinário, eu podia
Eu tinha motivos até pra te mandar tomar no cuuuuuuuuuu!
Mas acontece que eu achei isso tudo hiláááááááário!
Hahahahahahahahahahahahaha aaaaaaaaaaaaaaaaaa hahahhahahahahhahahahaha

Bullying



É um termo utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (do inglês bullytiranete ou valentão) ou grupo de indivíduos causando dor e angústia, sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder.

 Pois foi assim que me senti naquele dia... Ela lá poderosa, olhava com um ar esnobe como se dissesse... Mostre-me o que podes fazer, se sentia melhor que todos, pude entender naquela atitude uma tentativa de diminuir não só a mim como a todos...

Vou te falar uma coisa, eu fui colocado em meu devido lugar, mas sem rancor algum, apesar de humilhado, diminuído, apesar de tudo... Eu ria... Eu apenas olhava com admiração... Poderosa demais, um brilho enorme, bela e graciosa... La de cima intocável...

Certeza eu tive... Não há ação humana capaz de aproximar a arte natural, nenhum artista, nenhuma invenção, nenhum gênio...



Ouvi em alto som naquele dia 01 de janeiro de 2013 (me afetou tanto que ainda hoje eu lembro pelo que passei)...

__Era isso? Já acabou? Nem deu para o começo... Meu brilho vem do SOL sabiam?

Me respondam... Foi Bullying ou não foi?