Ouvi em silêncio cada palavra, ouvi cada respirada profunda, puxava o ar como se tivesse se esquecido de respirar por longos minutos.
Observei o inicio do que seriam choros que eram interrompidos antes mesmo que começasse.
As preocupações de alguém que está no extremo do que é ser realmente humano.
Ele não sabia o que estava fazendo, e pra falar a verdade demorei também pra perceber o que se passava.
Aquela dor, o desespero no olhar, o medo, tudo tinha um motivo...
Ele estava se soltando de ganchos, ganchos que prendem a alma e para se ver livre deles não tem como ser diferente, existe a dor, e é uma dor além do que conhecemos, uma dor além do que é carnal...
O processo doloroso precisa de convicção, senão a desistência é certa, a sensação de estar quebrando promessas, sensação de fracasso, sensação de estar virando as costas e abandonando alguém passa pela cabeça o tempo todo em flashes de milissegundos.
Liberto, bate de frente com o desconhecido, uma vontade de dar satisfação do que pretende fazer, o costume do gancho que prende e impede movimentos acaba suprimindo a liberdade adquirida, os movimentos são lentos e a distância percorrida são quase sempre as mesmas que eram permitidas pelas correntes...
Aprende a ser feliz de uma forma diferente e plena, mas é constantemente repreendido por pensamentos que lhe dizem ser inadequado ser feliz daquele jeito.
Pensamentos que te perguntam: cadê o remorso? Como pode ser tão feliz se tem alguém que não pode? Como podes viver livre se tantos e tantos estão presos?
Precisa fechar os olhos e acreditar que tudo vai dar certo, tirar o peso e a responsabilidade de fazer alguém feliz das costas, acreditar que um dia eles poderão também enxergar que o único responsável por sua felicidade, são eles próprios.
Tudo isso pra se retirar apenas um gancho, apenas um dos tantos que lhe prendem a alma...