terça-feira, 1 de maio de 2007

“A Cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.” (Carlos Drummond de Andrade)

A muito tempo descobri que a velhice é apenas lembranças, e tento desde então acumular estórias vividas por mim e também por outras pessoas, para quando mais nada puder fazer... ter muito o que contar, rsrsrs... e quem sabe assim ter um repertório suficiente para ser o menos repetitivo possível...

Convivo a mais de dez anos com uma limitação proveniente de um acidente, que me impede de levar uma vida normal no sentido físico... limitação que está causando uma lesão psicológica que luto para que faça o menor estrago possível, o stress tem acabado com minhas lembranças curtas e as vezes longas, a revolta da forma como foi feito o tratamento de minha lesão física, já comprometeu até minha saúde espiritual... por pouco naum me tranformaram em um assassino, só de pensar nisso meu estomago se contrai, foi um tempo dificil, não tinha minha válvula de escape... pra quem não sabe, o futebol realizava este papel muito bem e então fica fácil adivinhar que a revolta aumenta só de pensar...
Escrevo essas palavras enquanto sinto uma dor constante proveniente deste joelho que já passou por 4 cirurgias e descobri a pouco que será necessária pelo menos mais uma... a artrose já é uma realidade a tanto tempo prometida...
No tempo que jogava bola era bastante considerado... e principalmente a amizade conquistada naqueles anos me rendem convites até hoje... sendo que um deles a pouco tempo me chamou a atenção, devido a organização, a qualidade do campo e principalmente por não ser competitivo, um grupo unico que a cada semana se divide aleatóriamente e disputa uma animada pelada... estava a quase tres anos sem jogar... comprei uma chuteira nova... e na cabeça dava força a mim mermo... calma... teu joelho ta legal... sempre me achei pessimista de carteirinha... um penalti a favor do meu time e eu já sabia que o gleiro ia pegar... e quando era contra? gol certo... com o tempo fui tentando abrandar essa afirmação e já consegui me convencer que sou realista e não pessimista... então me vejo ao lado do campo... a galera grita para que coloque o uniforme verde... meu coração dispara... quanto tempo sem sentir aquela emoção... no vestiário sózinho busco uma camisa que melhor me identifico... mas a 8 não está lá... a 5 pode ser a 5... cadê? ops, achei... a 13... é essa mermo... a 13... lembro do inicio no clube... a descoberta de meu futebol... o lançamento no segundo tempo... era a 13, foi com ela que realizei uma de minhas melhores apresentações... não sou supersticioso, mas não dou as costas para as "coincidências" que a vida nos apresenta. estou em campo... demora até que tenham a confiança de entregar a bola em mim... tempo suficiente para diminuir os batimentos e controlar minha ansiedade... me desloco procurando pela bola... o joelho dói... mas o joelho? que se foda o joelho... tocaram em mim... sempre ouvi do meu cunhado que a primeira bola vc deve tocar curto... e assim ir ganhando confiança.. e é assim que vou fazer... recebo na direita outra bola e o passe é mais longo... percebo que o time já me busca em campo... na terceira bola já coloco um de cara com o gol... e em sequencia vou dando passes para gol... ahhh! se o corpo respondesse o raciocínio... mas quem sou pra exigir algo? só eu sei o que sinto até para caminhar... fim de jogo... a dor que sinto é infima diante da euforia de ter jogado... e bem por sinal... já estou em casa... o gelo age mas sei que é ineficaz no momento... não posso negar... ele fica bonito desse jeito... que joelhão(kkkkkk) em menos de meia hora já tá dificil de me levantar aqui do chão... caramba! será que ele já estará desinchado domingo que vem?